Arquivo da categoria: Turistas

Turistas que conheci no MotoTurismo e MotoTuristas entrevistados com suas motos.

Da Ásia, Moto BMW 1200 GS

Da Ásia, Cingapura, moto BMW 1200 GS.

Mapa Chile Peru Bolivia Argentina Paraguai BrasilDa Ásia, pilotada pelo casal Charlie Tseng e Cecilia a moto BMW 1200 GS laranja. Ele, com 59 anos é o piloto, mecânico, borracheiro, faz tudo sozinho e deu o nome de SG Adventourer à sua moto BMW 1200 GS de Cingapura. Entraram pela cidade de Valparaíso no Chile, país integrante do Mercosul. Assim, passaram pela província chilena de Antofagasta, subindo até Arica, entrando na fronteira com Peru, subiram mais ainda, entrando na Bolívia, quando resolveram ir ao Salar de Uyuni boliviano. Pra encurtar o caminho, atravessou a estrada de areia entre Oruro e Uyuni, a Ruta 30. Nessa primeira semana de agosto, ele escolheu colocar as malas de alumínio da moto BMW 1200 GS num carro que passava e deu carona pra Cecília Tseng, assim ele poderia andar com mais agilidade nas areias bolivianas até Uyuni. Já era de tarde, mas o carro que deu a carona a ela, se adiantou e Charlie ficou pra tás.

Acidente na Bolívia com sua moto BMW 1200 GS: sem pneus off road atolou nas areias bolivianas e Charlie teve uma lesão nos dedos.  Com o tombo e sem forças pra levantar a moto pesada e com a lesão na mão, veio a dor, a demora em se recompor da dor, o frio chegando, e ele sabia que a temperatura cairia pra 6 graus negativos à noite. Sua barraca estava na bagagem das malas de alumínio que foram no carro da Cecília. Um carro veio em sentido contrário e ajudou a levantar a moto. Ele só não poderia deixar a moto cair de novo antes de escurecer por mais 120 Km. Foi para a delegacia e um carro da polícia levou Charlie Tseng para o hospital. Até ele que viu Cecilia gritando por ele no hospital e o médico queria mandá-lo pra Potosi tirar Raio-X a 200 Km.
Mapa Bolivia Uyuni Ruta30 PotosiO casal pediu pra descansar no hotel até melhorar. (Sabem como são os orientais e suas meditações, né?) Descansaram, passearam alguns dias sem a moto e Charlie se recuperou pra vir ao Brasil por Tarija na Bolívia, entrando no norte da Argentina e Puerto Iguazu e Foz do Iguaçu no Paraná.
Mapa MS Bonito Campo Grande Chapadao do Sul
Ainda no mês de agosto passou por Mato Grosso do Sul. Vindo de Foz do Iguaçu e Cascavel, passaram por Dourados, onde Rafael Neto do Moto Clube Tribos do Asfalto e Carlos Schwiners, membro da AMEBR de MS, Apoio ao Motociclista Estradeiro em Dourados receberam o casal de Cingapura e avisaram às outras irmandades em Campo Grande. Seguiram para cidade de Bonito-MS onde Floribal  da ISF-MS já  esperava por eles para auxiliar nas rodovias de Mato Grosso do Sul. Chegaram em Campo Grande, capital de MS num sábado, hospedaram com a família de Floribal e fomos pra Feira Central onde se reúnem os descendentes de orientais e servem comidas como Sobá, Yakisobah, Yakimeshi, Rolinho Primavera e comidas típicas japonesas. Em Mato Grosso do Sul, ou melhor, no Brasil, a receptividade e o carinho em Mato Grosso do Sul a eles foi um sucesso! Podemos ver pelas fotos no álbum ao final dessa postagem. Depois de Campo Grande, o casal de Cingapura seguiu na sua moto BMW 1200 GS pra o norte de Mato Grosso do Sul, divisa com Goiás, até Chapadão do Sul, onde se encontrou com o Moto Clube Chapadão. Foram acolhidos muito bem. Dali a 65 km foram a Costa Rica em Mato Grosso do Sul visitar o Parque Nacional do Sucuriú e suas cachoeiras. Foram recebidos em Costa Rica por um guia, Fabiano e Josana, indicados pelo prefeito local e solicitados pela AMEBR-MS. Charlie Tseng e Cecilia agradeceram essa organização e receptividade em seu sua rede social. Foram a Cassilândia ainda em MS e voltaram ao Moto Clube de Chapadão do Sul pra uma super despedida pra Goiânia, capital de Goiás.  Mais uma vez o Moto Clube de Chapadão que se reúne às quintas-feiras, reabriu a sede no domingo e se fez presente na despedida coletiva quando o casal saiu de Mato Grosso do Sul. Também agradeceram ao Orquidário Antonelli de Chapadão do Sul. E publicaram ainda na sua rede social um agradecimento especial a todos que recepcionaram em MS, também à AMEBR-MS, Brazil Riders MS e ISF MS.

Compartilhe este álbum de fotos AQUI!

Filha de motociclista, Garupa é!

Filho de peixe, peixinho é! E filho de motociclista? Aqui, filha de motociclista, garupa é!

Patricia Godoy, Guillermo Godoy (2)

Recentemente, "Garupas" publicou uma matéria intitulada Na Garupa de um Albatroz que conta a história de Guillermo Godoy, um experiente motociclista que embora já tenha rodado muito pelo mundo, em 2014 quer partir para a volta ao mundo!

Por ter lido um livro de Gullermo (é, ele tem 4 livros publicados contando algumas de suas aventuras pelas estradas) e sempre acompanhar suas publicações nas redes sociais, "Garupas" ficou curiosa para saber um pouco mais sobre como é andar na garupa deste Julio Verne do motociclismo. Uma brincadeira, um modo carinhoso de uma garupa, amante dos livros e da leitura, chamar um motociclista que quer dar a volta ao mundo, como uma alusão ao escritor de A Vota ao Mundo em 80 dias, um clássico da literatura mundial.

Patricia Godoy, Guillermo Godoy (1)
Poder compartilhar situações, experiências e dicas é um dos focos de "Garupas", sob o ponto de vista das garupas, e é claro, também dos que pilotam. Sabemos que algumas pessoas, embora se sintam estimuladas e interessadas em enfrentar uma viagem, um passeio mais longo de moto, muitas vezes não teem coragem, ficam inseguras. Quem sabe lendo essas histórias que temos publicado aqui no blog se sintam mais encorajadas e tirem da "gaveta" aquele sonho, aquele desejo, aquela vontade de subir em uma garupa e acompanhar o seu marido, o seu pai, o seu amigo, o seu  namorado… ou porque não, passar para o banco da frente?  Como na história desta garupa rebelde que contamos. 
Pois bem, trazemos então neste mês a Patrícia Godoy, a garupa fiel e escudeira do pai. Enviamos algumas perguntas para esta jovem estudante, que gentilmente compartilhou conosco sobre ser garupa deste destemido, corajoso e aventureiro pai.

Vamos lá, com vocês, Patrícia Godoy:
Garupas: Como é viajar com o pai?
Patrícia: Viajar já é maravilhoso e se estamos com alguém que amamos então, completa todas as necessidades de uma viagem e também é muito mais fácil para superar qualquer dificuldade.
Garupas: Quando foi e para onde foi a sua primeira viagem com o seu pai?
Patrícia: Minha primeira viagem foi curta, somente adaptação, foi a Lages, não lembro exatamente o ano, porém acredito que eu tinha entre 14 e 15 anos. Confesso não gostei muito, sofri bastante com o frio, porém hoje olhando as fotos dessa viagem eu não estava com roupa apropriada pra aquela temperatura.
Garupas: Viaja com que frequência junto ao pai? O que define a sua participação na viagem ou não?
Patrícia: Devido à faculdade, ficou cada ano mais difícil viajar na garupa com meu pai. Minha participação se define pelo simples fato de dar-nos muito bem, há muita cumplicidade tornando a viagem maravilhosa.
Garupas: Sente alguma dificuldade em ser garupa? Se sim, cite algumas.
Patrícia: Nenhuma, nunca gostei muito de pilotar, nas viagens minha função é filmar e fotografar tudo. E na garupa também consigo curtir muito mais a viagem, olhando tudo ao redor e até as vezes porque não fazendo um cochilinho jejeje.
Garupas: Já viajou como garupa sem ser com o seu pai? 
Patrícia: Não, nunca. Confio somente no meu pai para fazer uma viagem.
Garupas: Você também pilota? Desde quando?
Patrícia: Sei pilotar contudo, não gosto muito, me sinto insegura devido ao fato de ser muito baixa e não alcançar com todo o pé no chão.
Garupas: Como faz para selecionar o que levar em longas viagens?
Patrícia: Tentando ver as coisas mais importantes, mas como toda mulher que sou, sempre acabo levando coisas demais e volumosas, faz parte.
Garupas: Alguma dica especial para garupas de primeira viagem?
Patrícia: Confiar plenamente no piloto é essencial.
Garupas: Qual foi a sua maior aventura como garupa?
Patrícia: Não tem maior aventura, cada viagem é uma experiência nova.
Garupas: O que é motociclismo para você? E como define ser garupa?
Patrícia: Motociclismo é  respeitar os limites da moto, do piloto e da garupa. É saber quando parar e quando seguir. É ser humilde e acima de tudo respeito ao próximo. E quanto a definição em ser garupa, no meu caso é ser companheira, amiga, parceria para o que der e vier, aventura e emoção em buscar de mais adrenalina.

Patricia Godoy, Guillermo Godoy (4)

Enquanto escrevíamos este post, Patrícia ainda era acadêmica. Mas recentemente, formou-se e agora é cirurgiã-dentista. Desejamos a Patrícia sucesso na carreira e muitas estradas junto ao pai! Afinal, filha de motociclista como Guillermo Godoy, garupa iluminada é! Curta Garupas no Facebook

Patricia Godoy, Guillermo Godoy (3)
 

 

Na garupa de um albatroz

Garupas agora pega carona na garupa de um albatroz!!!

Gullermo_Godoy_Brazil_Rider_Cordilheira

Ele é médico, tem 78 anos de idade, 37 de motociclismo, já percorreu os cinco continentes e os dois polos, acumulando mais ou  menos um milhão de quilômetros em duas rodas, estudou com Che Guevara e publicou quatro livros.
Se você acha que ele sossegou e já fez de tudo, engana-se. Seu próximo projeto é a volta ao mundo.
Garupas ao longo de muitas semanas conversou e colheu materiais para o post desta semana que contará um pouquinho da história do "Julio Verne do motociclismo", Guillermo Godoy, nascido na Argentina e naturalizado brasileiro.   
Radicado em Florianópolis – SC desde 1976, foi o primeiro especialista em Geriatria do estado de Santa Catarina e ainda hoje exerce a sua profissão. Doutorou-se em Geriatria em vários países da Europa e foi premiado pela Organização Mundial da Saúde por trabalhos feitos na selva amazônica. Seu lema "Querer é poder" deixa transparecer a sua paixão por aventuras e certamente sua experiência pessoal deve servir de inspiração a seus pacientes a viver mais e com melhor qualidade de vida.
Em muitas de suas viagens contou com a companhia da uma garupa, sua filha Patrícia Godoy: "valente e destemida  companheira de todas as horas", assim por ele definida.
Guillermo Godoy se descreve como "um 'albatroz solitário', voando pelo mundo, nas asas indomáveis e abençoadas da sua moto". E todas as experiências sobre as duas rodas que já viveu, ou que quase viveu, mas que sempre sonhou, são relatadas por esse motociclista aventureiro,  nos seus quatro livros publicados. São histórias que se permitiu viver e que muitos jovens nem ousam sonhar.
Guillermo atualmente se aventura pelas estradas com a sua V Strom 1000 amarela, mas conta como foi a aquisição da sua primeira motocicleta:

"Fui à concessionaria Honda para comprar minha primeira moto. O vendedor ao saber que nunca tinha pilotado uma moto, me ofereceu uma 125 cc. que me decepcionou completamente. É que sempre guardei na minha mente, aquelas máquinas poderosas que tanto me impressionaram na minha infância. Falei que queria comprar a moto mais possante que tivesse. Naquela época a CB 400 II, era a de maior cilindrada no Brasil, as importadas ainda não estavam no mercado. Ali mesmo no pátio da loja o vendedor corria ao meu lado me dando as dicas de como engatar as marchas. Então, nesse momento aprendi a dirigir e sai da loja com minha maravilhosa CB 400 II dourada, toda carenada, com rádio e toca-fitas. Essa noite não consegui dormir, tanta era a emoção. Dois dias depois estava partindo para visitar meus pais que moravam na Argentina. Foi a minha primeira longa viagem, foram 4.800 quilômetros que marcaram minha vida para sempre, até hoje."

Mas este sonho caminhou com o garoto Guillermo, que desde criança tinha verdadeira paixão por motos. O motociclista contou a Garupas que seu coração palpitava quando via passar motos que hoje nem existem mais como a Norton, Triumph, AJS, BSA, Indian, Makcles, Magnat Debon, Gilera, e outras. O garoto cresceu, foi estudar Medicina, casou, teve filhos, morou uma temporada na Europa, trabalhou duro, estabeleceu-se, contribui com a sociedade, mas durante todos esses anos a paixão por motos nunca o abandonou. Até um belo dia em que já profissionalmente estabelecido acordou e disse a si mesmo: "vai ser hoje", e como Garupas contou anteriormente, resolveu entrar na concessionária Honda, marca da sua primeira motocicleta.

Gullermo_Godoy_Brazil_Rider_Amazonas

Um exemplo de que durante toda a sua vida as motos rondaram os seus sonhos e o aproximou de pessoas que também curtiam motos, foi de que na época da faculdade, Guillermo Godoy conheceu um jovem também apaixonado por motos e que mais tarde entraria para a História, como conta:

"Ernesto era cinco anos mais velho que eu e estudava Medicina na Universidade de La Plata. Estava quase se formando, só uma matéria, Farmacologia, infernizava sua vida. O professor não gostava dele, não se davam bem e já o tinha reprovado 3 vezes. Cansado e deprimido resolveu fazer a matéria na Universidade de Buenos Aires. Ingressou na cátedra justamente no ano em que eu estava cursando Farmacologia e como não podia ser diferente, a paixão pelas motos nos aproximou. Sempre tinha em mente uma longa viagem de moto, coisa que fez logo de formado. Terminado o ano (uma matéria durava um ano e não um semestre como acontece no Brasil), Ernesto aprovou a matéria e se formou. Ele foi por um caminho, eu por outro. Nunca mais o vi. Anos depois, parte do mundo ia conhecer o “Che”. Muitos o admiraram e se espelharam em ele, outros o odiaram. Eu já o admirava muito antes de se tornar o “Che”."

O experiente motociclista nos conta que quando começou a viajar "era necessário ter um misto de loucura, coragem e muita determinação, para se fazer uma longa viagem" pois as condições obviamente não eram tão facilitadas com as tecnologias de hoje, e que muito ajudam um motociclista na estrada, como por exemplo o celular e o GPS. Também não existiam no mercado roupas especiais para motociclistas, as estradas eram ruins e grande parte delas sem nenhuma infraestrutura.

Mas independente das condições Guillermo afirma que para empreender viagens longas é preciso doses de "autoconfiança, humildade, generosidade com os irmãos de estrada, disposição para aguentar sacrifícios e imprevistos e acima de todo, sempre levar Deus no coração."

Guillermo que viaja sozinho ou na companhia da filha Patrícia, com toda a sua experiência, quando solicitado a dar uma dica especial para motociclistas que carregam garupas e para as próprias garupas, diz o seguinte:

"Não vejo nenhuma dificuldade enquanto a garupa seja uma pessoa conhecida, de inteira confiança, no meu caso, trata-se de minha filha. Já viajei pelos 5 continentes, e até agora todos meus sonhos em duas rodas foram realizados, o proximo sonho a realizar será a volta ao mundo em 2014.  Recomendação para o motociclista: seja muito mais prudente ao conduzir pois se trata agora de duas vidas e você é o responsável. Recomendação para o garupa: se integre e acredite piamente no seu condutor. Motociclista e carona deve ser uma unidade indissolúvel, um sentimento, uma entrega mútua…"

Dono de uma experiência tão rica sobre as duas rodas, Guillermo publicou suas principais aventuras em 4 livros: MOMENTOS DA MINHA VIDA A BORDO DE UMA CBR  1000, VIAJANDO PELA ROTA TRANSIBERIANA, QUASE DO POLO SUL AO POLO NORTE EM DUAS RODAS, VIAJANDO PELA ÍNDIA E NEPAL… Já promoveu inclusive um encontro de escritores motociclistas em Florianópolis-SC!

Ter lido e conversado com o Guilhermo foi diferente por toda a vibração que consegue nos passar com suas palavras positivas, de vida que pulsa, da educação que transborda, paixão por aventura, e que vem sendo transcorrida sobre duas rodas, mesmo quando ela, a moto, apenas habitava os seus sonhos, os seus desejos e se traduzia em emoção quando ainda garoto, via uma moto passar…

Garupas deixa aqui a mensagem deixada por Guillermo Godoy, e que sirva-nos de exemplo para que não deixemos os nossos sonhos para trás, seja ele do tamanho que for, da quilometragem que tiver…

"As belezas e maravilhas da natureza me mostraram o quanto somos pequenos dentro do nosso planeta. Posso te dizer com profunda convicção que meus sonhos de viagens e aventuras, de novos e coloridos horizontes, não param nunca… São eternos, me dão força e coragem para seguir em frente, sem preconceitos de credos e particularmente de idades. Mesmo sem viajar, a mente me leva com assombrosa facilidade, com sede insaciável de desbravar distantes e desconhecidos caminhos pelo mundo afora. Posso te dizer, também, com profunda convicção, que todos nós, independente da nossa idade, seremos eternamente jovens enquanto saibamos manter e cultivar com dignidade, uma mente jovem e sadia. São felizes aqueles que conseguem levar a prática, a realização dos seus sonhos tão anelados. O mundo sempre estará nas mãos daqueles que tiverem coragem de sonhar e correr o risco de viver seus sonhos. E para encerrar, quero mencionar o lema que meu amado pai me ensinou quando ainda pequeno e que sempre me acompanha: “Querer, é poder”."

Quer conhecer melhor essas grandes aventuras do Guillermo Godoy e quem sabe inspirar-se para a realização dos seus próprios sonhos?

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