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Entrevistas de motociclistas, garupas, pessoas que incentivam o MotoTurismo

Filha de motociclista, Garupa é!

Filho de peixe, peixinho é! E filho de motociclista? Aqui, filha de motociclista, garupa é!

Patricia Godoy, Guillermo Godoy (2)

Recentemente, "Garupas" publicou uma matéria intitulada Na Garupa de um Albatroz que conta a história de Guillermo Godoy, um experiente motociclista que embora já tenha rodado muito pelo mundo, em 2014 quer partir para a volta ao mundo!

Por ter lido um livro de Gullermo (é, ele tem 4 livros publicados contando algumas de suas aventuras pelas estradas) e sempre acompanhar suas publicações nas redes sociais, "Garupas" ficou curiosa para saber um pouco mais sobre como é andar na garupa deste Julio Verne do motociclismo. Uma brincadeira, um modo carinhoso de uma garupa, amante dos livros e da leitura, chamar um motociclista que quer dar a volta ao mundo, como uma alusão ao escritor de A Vota ao Mundo em 80 dias, um clássico da literatura mundial.

Patricia Godoy, Guillermo Godoy (1)
Poder compartilhar situações, experiências e dicas é um dos focos de "Garupas", sob o ponto de vista das garupas, e é claro, também dos que pilotam. Sabemos que algumas pessoas, embora se sintam estimuladas e interessadas em enfrentar uma viagem, um passeio mais longo de moto, muitas vezes não teem coragem, ficam inseguras. Quem sabe lendo essas histórias que temos publicado aqui no blog se sintam mais encorajadas e tirem da "gaveta" aquele sonho, aquele desejo, aquela vontade de subir em uma garupa e acompanhar o seu marido, o seu pai, o seu amigo, o seu  namorado… ou porque não, passar para o banco da frente?  Como na história desta garupa rebelde que contamos. 
Pois bem, trazemos então neste mês a Patrícia Godoy, a garupa fiel e escudeira do pai. Enviamos algumas perguntas para esta jovem estudante, que gentilmente compartilhou conosco sobre ser garupa deste destemido, corajoso e aventureiro pai.

Vamos lá, com vocês, Patrícia Godoy:
Garupas: Como é viajar com o pai?
Patrícia: Viajar já é maravilhoso e se estamos com alguém que amamos então, completa todas as necessidades de uma viagem e também é muito mais fácil para superar qualquer dificuldade.
Garupas: Quando foi e para onde foi a sua primeira viagem com o seu pai?
Patrícia: Minha primeira viagem foi curta, somente adaptação, foi a Lages, não lembro exatamente o ano, porém acredito que eu tinha entre 14 e 15 anos. Confesso não gostei muito, sofri bastante com o frio, porém hoje olhando as fotos dessa viagem eu não estava com roupa apropriada pra aquela temperatura.
Garupas: Viaja com que frequência junto ao pai? O que define a sua participação na viagem ou não?
Patrícia: Devido à faculdade, ficou cada ano mais difícil viajar na garupa com meu pai. Minha participação se define pelo simples fato de dar-nos muito bem, há muita cumplicidade tornando a viagem maravilhosa.
Garupas: Sente alguma dificuldade em ser garupa? Se sim, cite algumas.
Patrícia: Nenhuma, nunca gostei muito de pilotar, nas viagens minha função é filmar e fotografar tudo. E na garupa também consigo curtir muito mais a viagem, olhando tudo ao redor e até as vezes porque não fazendo um cochilinho jejeje.
Garupas: Já viajou como garupa sem ser com o seu pai? 
Patrícia: Não, nunca. Confio somente no meu pai para fazer uma viagem.
Garupas: Você também pilota? Desde quando?
Patrícia: Sei pilotar contudo, não gosto muito, me sinto insegura devido ao fato de ser muito baixa e não alcançar com todo o pé no chão.
Garupas: Como faz para selecionar o que levar em longas viagens?
Patrícia: Tentando ver as coisas mais importantes, mas como toda mulher que sou, sempre acabo levando coisas demais e volumosas, faz parte.
Garupas: Alguma dica especial para garupas de primeira viagem?
Patrícia: Confiar plenamente no piloto é essencial.
Garupas: Qual foi a sua maior aventura como garupa?
Patrícia: Não tem maior aventura, cada viagem é uma experiência nova.
Garupas: O que é motociclismo para você? E como define ser garupa?
Patrícia: Motociclismo é  respeitar os limites da moto, do piloto e da garupa. É saber quando parar e quando seguir. É ser humilde e acima de tudo respeito ao próximo. E quanto a definição em ser garupa, no meu caso é ser companheira, amiga, parceria para o que der e vier, aventura e emoção em buscar de mais adrenalina.

Patricia Godoy, Guillermo Godoy (4)

Enquanto escrevíamos este post, Patrícia ainda era acadêmica. Mas recentemente, formou-se e agora é cirurgiã-dentista. Desejamos a Patrícia sucesso na carreira e muitas estradas junto ao pai! Afinal, filha de motociclista como Guillermo Godoy, garupa iluminada é! Curta Garupas no Facebook

Patricia Godoy, Guillermo Godoy (3)
 

 

Na garupa de um albatroz

Garupas agora pega carona na garupa de um albatroz!!!

Gullermo_Godoy_Brazil_Rider_Cordilheira

Ele é médico, tem 78 anos de idade, 37 de motociclismo, já percorreu os cinco continentes e os dois polos, acumulando mais ou  menos um milhão de quilômetros em duas rodas, estudou com Che Guevara e publicou quatro livros.
Se você acha que ele sossegou e já fez de tudo, engana-se. Seu próximo projeto é a volta ao mundo.
Garupas ao longo de muitas semanas conversou e colheu materiais para o post desta semana que contará um pouquinho da história do "Julio Verne do motociclismo", Guillermo Godoy, nascido na Argentina e naturalizado brasileiro.   
Radicado em Florianópolis – SC desde 1976, foi o primeiro especialista em Geriatria do estado de Santa Catarina e ainda hoje exerce a sua profissão. Doutorou-se em Geriatria em vários países da Europa e foi premiado pela Organização Mundial da Saúde por trabalhos feitos na selva amazônica. Seu lema "Querer é poder" deixa transparecer a sua paixão por aventuras e certamente sua experiência pessoal deve servir de inspiração a seus pacientes a viver mais e com melhor qualidade de vida.
Em muitas de suas viagens contou com a companhia da uma garupa, sua filha Patrícia Godoy: "valente e destemida  companheira de todas as horas", assim por ele definida.
Guillermo Godoy se descreve como "um 'albatroz solitário', voando pelo mundo, nas asas indomáveis e abençoadas da sua moto". E todas as experiências sobre as duas rodas que já viveu, ou que quase viveu, mas que sempre sonhou, são relatadas por esse motociclista aventureiro,  nos seus quatro livros publicados. São histórias que se permitiu viver e que muitos jovens nem ousam sonhar.
Guillermo atualmente se aventura pelas estradas com a sua V Strom 1000 amarela, mas conta como foi a aquisição da sua primeira motocicleta:

"Fui à concessionaria Honda para comprar minha primeira moto. O vendedor ao saber que nunca tinha pilotado uma moto, me ofereceu uma 125 cc. que me decepcionou completamente. É que sempre guardei na minha mente, aquelas máquinas poderosas que tanto me impressionaram na minha infância. Falei que queria comprar a moto mais possante que tivesse. Naquela época a CB 400 II, era a de maior cilindrada no Brasil, as importadas ainda não estavam no mercado. Ali mesmo no pátio da loja o vendedor corria ao meu lado me dando as dicas de como engatar as marchas. Então, nesse momento aprendi a dirigir e sai da loja com minha maravilhosa CB 400 II dourada, toda carenada, com rádio e toca-fitas. Essa noite não consegui dormir, tanta era a emoção. Dois dias depois estava partindo para visitar meus pais que moravam na Argentina. Foi a minha primeira longa viagem, foram 4.800 quilômetros que marcaram minha vida para sempre, até hoje."

Mas este sonho caminhou com o garoto Guillermo, que desde criança tinha verdadeira paixão por motos. O motociclista contou a Garupas que seu coração palpitava quando via passar motos que hoje nem existem mais como a Norton, Triumph, AJS, BSA, Indian, Makcles, Magnat Debon, Gilera, e outras. O garoto cresceu, foi estudar Medicina, casou, teve filhos, morou uma temporada na Europa, trabalhou duro, estabeleceu-se, contribui com a sociedade, mas durante todos esses anos a paixão por motos nunca o abandonou. Até um belo dia em que já profissionalmente estabelecido acordou e disse a si mesmo: "vai ser hoje", e como Garupas contou anteriormente, resolveu entrar na concessionária Honda, marca da sua primeira motocicleta.

Gullermo_Godoy_Brazil_Rider_Amazonas

Um exemplo de que durante toda a sua vida as motos rondaram os seus sonhos e o aproximou de pessoas que também curtiam motos, foi de que na época da faculdade, Guillermo Godoy conheceu um jovem também apaixonado por motos e que mais tarde entraria para a História, como conta:

"Ernesto era cinco anos mais velho que eu e estudava Medicina na Universidade de La Plata. Estava quase se formando, só uma matéria, Farmacologia, infernizava sua vida. O professor não gostava dele, não se davam bem e já o tinha reprovado 3 vezes. Cansado e deprimido resolveu fazer a matéria na Universidade de Buenos Aires. Ingressou na cátedra justamente no ano em que eu estava cursando Farmacologia e como não podia ser diferente, a paixão pelas motos nos aproximou. Sempre tinha em mente uma longa viagem de moto, coisa que fez logo de formado. Terminado o ano (uma matéria durava um ano e não um semestre como acontece no Brasil), Ernesto aprovou a matéria e se formou. Ele foi por um caminho, eu por outro. Nunca mais o vi. Anos depois, parte do mundo ia conhecer o “Che”. Muitos o admiraram e se espelharam em ele, outros o odiaram. Eu já o admirava muito antes de se tornar o “Che”."

O experiente motociclista nos conta que quando começou a viajar "era necessário ter um misto de loucura, coragem e muita determinação, para se fazer uma longa viagem" pois as condições obviamente não eram tão facilitadas com as tecnologias de hoje, e que muito ajudam um motociclista na estrada, como por exemplo o celular e o GPS. Também não existiam no mercado roupas especiais para motociclistas, as estradas eram ruins e grande parte delas sem nenhuma infraestrutura.

Mas independente das condições Guillermo afirma que para empreender viagens longas é preciso doses de "autoconfiança, humildade, generosidade com os irmãos de estrada, disposição para aguentar sacrifícios e imprevistos e acima de todo, sempre levar Deus no coração."

Guillermo que viaja sozinho ou na companhia da filha Patrícia, com toda a sua experiência, quando solicitado a dar uma dica especial para motociclistas que carregam garupas e para as próprias garupas, diz o seguinte:

"Não vejo nenhuma dificuldade enquanto a garupa seja uma pessoa conhecida, de inteira confiança, no meu caso, trata-se de minha filha. Já viajei pelos 5 continentes, e até agora todos meus sonhos em duas rodas foram realizados, o proximo sonho a realizar será a volta ao mundo em 2014.  Recomendação para o motociclista: seja muito mais prudente ao conduzir pois se trata agora de duas vidas e você é o responsável. Recomendação para o garupa: se integre e acredite piamente no seu condutor. Motociclista e carona deve ser uma unidade indissolúvel, um sentimento, uma entrega mútua…"

Dono de uma experiência tão rica sobre as duas rodas, Guillermo publicou suas principais aventuras em 4 livros: MOMENTOS DA MINHA VIDA A BORDO DE UMA CBR  1000, VIAJANDO PELA ROTA TRANSIBERIANA, QUASE DO POLO SUL AO POLO NORTE EM DUAS RODAS, VIAJANDO PELA ÍNDIA E NEPAL… Já promoveu inclusive um encontro de escritores motociclistas em Florianópolis-SC!

Ter lido e conversado com o Guilhermo foi diferente por toda a vibração que consegue nos passar com suas palavras positivas, de vida que pulsa, da educação que transborda, paixão por aventura, e que vem sendo transcorrida sobre duas rodas, mesmo quando ela, a moto, apenas habitava os seus sonhos, os seus desejos e se traduzia em emoção quando ainda garoto, via uma moto passar…

Garupas deixa aqui a mensagem deixada por Guillermo Godoy, e que sirva-nos de exemplo para que não deixemos os nossos sonhos para trás, seja ele do tamanho que for, da quilometragem que tiver…

"As belezas e maravilhas da natureza me mostraram o quanto somos pequenos dentro do nosso planeta. Posso te dizer com profunda convicção que meus sonhos de viagens e aventuras, de novos e coloridos horizontes, não param nunca… São eternos, me dão força e coragem para seguir em frente, sem preconceitos de credos e particularmente de idades. Mesmo sem viajar, a mente me leva com assombrosa facilidade, com sede insaciável de desbravar distantes e desconhecidos caminhos pelo mundo afora. Posso te dizer, também, com profunda convicção, que todos nós, independente da nossa idade, seremos eternamente jovens enquanto saibamos manter e cultivar com dignidade, uma mente jovem e sadia. São felizes aqueles que conseguem levar a prática, a realização dos seus sonhos tão anelados. O mundo sempre estará nas mãos daqueles que tiverem coragem de sonhar e correr o risco de viver seus sonhos. E para encerrar, quero mencionar o lema que meu amado pai me ensinou quando ainda pequeno e que sempre me acompanha: “Querer, é poder”."

Quer conhecer melhor essas grandes aventuras do Guillermo Godoy e quem sabe inspirar-se para a realização dos seus próprios sonhos?

    http://guillermogodoy.com.br/site/como-comprar/

 

Gullermo_Godoy_Brazil_Rider_Deserto

 

Cadelas, porém garupas!

Luiz Carlos Negrini e suas cadelas garupas: Nani e Catarina
As garupas em destaque hoje não são humanas. Isso mesmo! São cadelas, porém garupas! São tão bem tratadas pelo dono e fazem mais sucesso que eu, uma garupa humana! kkk As danadas abalam o pedaço quando viajam e até guardas de trânsito pedem para tirar fotos com essas duas "gatas' que na verdade são duas cadelinhas super charmosas.

O condutor dessas duas beldades, o Luiz Carlos Negrine, aposentado e ex-funcionário da Varig de 64 anos, gosta mesmo é de andar sobre duas rodas e carrega em sua garupa a Nani e a Catarina, duas Cockers Spaniels Inglesas. Nobreza pura!

Hoje Luiz une as duas paixões: motos e animais, em especial os cães. Mas a ideia nasceu há aproximadamente 42 anos quando quis ter um cão que andasse de moto com ele. E a primeira garupa foi encontrada em uma feira de filhotes em Icaraí – RJ. A dúvida que pairava em relação a que raça levar em suas viagens, logo foi dissipada quando avistou Nani. Luiz afirma: " Na primeira troca de olhar, tive certeza de que seria ela minha companheira de viagem. E fui muito feliz nessa escolha. Ela incorporou bem o espírito motociclista." 

A segunda garupa é cria de Nani: Catarina Cremilda Deusdete, nome de barraqueira, segundo o seu piloto . E este é o trio estradeiro que "causa" e agita nas viagens e paradas por este Brasil afora! 

Como todo bom motociclista, Negrine se preocupa com a segurança de suas garupas e conta que Nani começou a andar na moto através da adaptação de uma bolsa lateral semiaberta e com espuma. Na época a charmosa usava apenas bandana e óculos. Mas não demorou muito para que a segurança fosse aperfeiçoada e o motociclista cuidadoso com suas garupas conta: " Comprei uma bola de plástico rígido, fiz um corte e ela serviu de molde para o capacete, que é feito de fibra. Depois só mandei pintar." Mas os acessórios não ficaram só nisso. As cadelinhas garupas além de capacete e óculos, viajam presas a dois extensores que não lhes tiram a liberdade de movimentação, mas que assegura ao condutor que as mesmas não saiam da cestinha, estando assim seguras! Além disso, o tímpano das cadelas também está protegido contra impurezas comuns nas estradas, como pedriscos, insetos e umidade. E segundo o motociclista, Nani e Catarina nunca rejeitaram os acessórios.

Garupas do MotoTuristas bateu um papo com o dono das cadelinhas e famosas garupas. Veja:
   
Garupas: Qual é o nome das cadelinhas que viajam com você? 
Negrine: Nani (a mãe) e Catarina (a filha);
 
Garupas: É preciso de alguma autorização para essas viagens? 
Negrine: Uma coisa curiosa: nunca fui questionado pela polícia, a respeito do aspecto legal. Já fui parado em rodovias, por outros motivos, mas quando as percebem, chamam todos lá da casinha para tirar fotos;
 
Garupas: Há quanto tempo você viaja com elas? 
Negrine: A Nani já viaja há quase 8 anos. Catarina há 3,5 anos;
 
Garupas: Elas vão na garupa o tempo inteiro da viagem? Ou existe algum carro de apoio onde elas possam ir durante parte da viagem?
Negrine: Sempre na garupa. Eu viajo sozinho, pois faço muitas paradas e me demoro mais do que o normal nestas paradas; 
 
Garupas: Você já viajou com garupa humana? Qual é a diferença?
Negrine: Sim, eu viajava com uma das ex-esposas. A diferença é que não escuto reclamações e elas estão sempre prontas e dispostas para prosseguir na viagem;
 
Garupas: Para onde já viajou com elas? 
Negrine: Para inúmeras cidades. Nani já acumula mais de 115.000 km de estradas. A mais distante foi para o RS, para onde já fomos 5 vezes;
 
Garupas: Como aconteceu a primeira viagem com as cadelas? Como e por que surgiu a ideia? 
Negrine: A ideia de ter um cãozinho como parceiro de viagem já remonta 42 anos. Desde que comprei minha primeira moto , eu já pensava nisso;

Garupas: Existe alguma viagem que não fez com as cadelas e que esteja nos seus planos?
Negrine: Eu recebo sempre convites de amigos, mas é praticamente impossível atender a todos. Talvez vá para Goiânia, cidade que ainda não fui;

Garupas: Passou algum momento de perigo ou dificuldade em alguma viagem com elas?
Negrine: Eu descia a serra gaúcha e em determinada altura minha pista estava interrompida, com uma seta indicando um desvio. Por intuição eu parei, pois não via no sentido contrário nada que interrompesse a pista. Se tivesse entrado, teria batido de frente com uma van, em alta velocidade.

Bem, se andando por aí você se deparar com duas cadelas sobre uma garupa e uma porção de gente querendo fotografá-las, bem provável se tratar de Nani e Catarina, as garupas de Negrine. Ainda não tive a chance de conhecê-las pessoalmente, mas pelo que o motociclista nos conta, realmente parecem ser ótimas companhias: não reclamam, parceiras e sempre prontas para a estrada! E olha, também são mascotes de um evento que ajuda crianças com câncer, o McDia Feliz! As danadinhas ainda são chegadas em um carnaval e há quatro anos desfilam no Blocão, tradicional bloco de cães, que acontece em Ipanema.

Quer saber mais sobre as nossas garupas? Digite Nani e Catarina no Youtube e você encontrará vários vídeos dessas cadelas, porém garupas!

Parabéns ao Negrine pelas garupas cadelas. Pois temos dito, ou garupas são parceiras e topam qualquer parada ou ficam para trás! 
Cadelas garupas de Luiz carlos Negrini: Nani e Catarina

Garupa rebelde! Jacqueline Hochberg

garupa rebelde!

Hoje vou contar a história de Jacqueline Hochberg, uma garupa que se "rebelou" e resolveu pilotar.  Exatamente, uma garupa rebelde! Pasmem, sua primeira viagem foi logo para abalar: Rota 66, isso mesmo, EUA!!! 
Bem, nossa ex "garupa rebelde" é advogada, formada pela Universidade Mackenzie e pilota motos custom. Em 2010 pensou em escolher uma viagem que fosse inesquecível tanto para ela quanto para o maridão Carlos, apaixonado por motos. Ela escolheria o lugar e ele claro, iria pilotando a moto, certo?! Que nada, só de pensar na ideia do desconforto que sentia na garupa da moto e no tédio que era segundo ela, não fazer nada na condição de garupa, teve uma outra grande ideia prontamente aceita pelo marido, que ainda por cima lhe deu como resposta um sonoro "obrigado!!!", conforme relata. Estava resolvido, iriam para os Estados Unidos percorrer a Rota 66, viagem que faz parte dos sonhos de grande parcela dos motociclistas e é claro, suas respectivas garupas… 
Você deve estar se perguntando, como assim?! Tudo bem, a Jacqueline odiava ser garupa, mas a grande viagem que começara a ser planejada a teria como piloto da moto!!! Isso mesmo, a nossa ex garupa entrou em uma escola de condutores de motocicletas, ou a moto-escola e ela que nunca havia nem ligado a moto do marido, antes mesmo de estar habilitada, ganhou um "pequeno mimo" que batizou de Lola, uma Sportster 883 Low …
Então, quando a nossa ex garupa Jacqueline foi aos Estados Unidos para se aventurar na Rota 66, tinha uma experiência de 2 meses como piloto de motos. Mas, como ela mesma relata em seu blog: "Eu sei que é maluquice, ok? Mas foi maravilhoso! E o Carlos foi um fofo por acreditar que eu era capaz e encarar a aventura comigo! Hahaha! Ou é mais maluco do que eu, vai saber!?" 
Essa maluquice toda durou 16 dias e mais uma vez pasmem, Carlos pilotou a moto menor e com menos bagagem que a Jaqueline (por que será, mulheres?! kkk) … Foram 3.800 km rodados e muitas histórias interessantes e de superação para contar… 
Fiz uma entrevista por e-mail com a Jacqueline especialmente respondida para o blog dos MotoTuristas, que compartilho com vocês agora:

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Garupa MotoTuristas: O que mais te incomodava no fato de ser garupa? 
Jacqueline: O desconforto e a falta de controle. A passividade do banco traseiro (e o capacete na minha frente atrapalhando a visão!) me incomodavam muito. Sempre gostei muito de dirigir e não sei porque nunca pensei em aprender a pilotar antes.
Garupa MotoTuristas: Tua primeira viagem foi realmente EUA? Ou antes de encarar a Ruta 66 fez alguma viagem dentro do BR?
Jaqueline: Sim, como contei no blog, aprendi a pilotar para viajar aos EUA. Nunca tinha ligado uma moto na minha vida! Mas não foi fácil: para estar preparada para a viagem em 5 meses eu frequentei tantos cursos quanto pude e treinei bastante. Queria aventura, não um problema! Acredito no treinamento e foi isso o que me proporcionou uma viagem tranquila e segura.
Garupa MotoTuristas: Quantos dias passaram nos Estados Unidos?
Jacqueline: Na primeira viagem foram 16 dias de viagem, percorrendo 3.800km de 5 estados americanos. Na segunda viajamos por 15 dias, 6 estados e 4.200km, incluindo a famosa Tail of the dragon, com suas 318 curvas em 18 km.
Garupa MotoTuristas: Como foi a sensação de pilotar nos EUA?
Jacqueline: Maravilhosa. Estradas incríveis, bem cuidadas, motoristas cautelosos, paisagens incríveis, muita segurança e infra-estrutura. Infelizmente não dá pra comparar com as estradas brasileiras.
Garupa MotoTuristas: Que dicas básicas e imprescindíveis daria para quem deseja fazer uma viagem como essa? (Rota 66) 
Jacqueline: A minha grande dica é: pesquise e faça a "sua" própria viagem. Nós estudamos muito o roteiro e as coisas que realmente gostaríamos de ver e fazer. Fomos sozinhos e isso nos proporcionou a viagem que mais nos agradaria. Não gosto de roteiros pré-organizados e grandes grupos. Nós fizemos o que queríamos fazer, no nosso tempo, do nosso jeito. Acho que isso é o mais importante de tudo.
Garupa MotoTuristas: Teu marido sempre soube do teu incômodo em ser garupa? Como ele recebeu a notícia de que passaria para o banco da frente? 
Jacqueline: Sim, sempre soube. Na maioria das vezes em que viajamos eu o acompanhei de carro ou de avião. E isso nunca foi um problema. Somos casados há vinte anos e sempre houve muito respeito em nossa relação. Não há motivo para esconder ou fingir que algo não me agrada, não é?
Meu marido recebeu a notícia muito bem e me apoiou desde o início. E, como ele diz, levar garupa também não é tão legal quanto pilotar a moto sozinho. Então juntamos as coisas e tudo passou a ser muito melhor para os dois. Hoje, em duas motos, estamos mais juntos do que nunca!
Garupa MotoTuristas: O que significa o motociclismo para você?
Jacqueline: Não é um "modo de vida" como dizem alguns, nem uma "religião" como falam outros. É uma atividade muito prazerosa. Gosto muito de pilotar. E aprender a pilotar foi um grande desafio vencido.
Garupa MotoTuristas: Costumam viajar sempre para encontros e eventos pelo BR?
Jacqueline: Não viajamos para eventos e encontros, nem no Brasil nem no exterior. Preferimos viajar para conhecer lugares.
Garupa MotoTuristas: Alguma viagem dos sonhos ainda não realizada?
Jacqueline: Ainda temos muitas viagens a fazer, claro. A fronteira EUA e Canadá deve ser a próxima. Tentamos viajar pelo Canadá na última viagem, mas não conseguimos uma locadora que nos permitisse cruzar a fronteira com as motos, então o plano foi abandonado. Mas já estamos refazendo os planos.
Garupa MotoTuristas: Para onde você já viajou enquanto garupa? E já pilotando?
Jacqueline:Como garupa eu sempre evitei a viagem em si. Chegava ao local por outros meios e só andava de moto lá mesmo. Foi assim quando o Carlos foi para o Chile, por exemplo. Fui de avião e só fui garupa nos passeios locais. 
Pilotando fizemos duas viagens para os EUA e algumas curtinhas aqui no Brasil, de não mais de 500 km. Tenho muito medo de pilotar aqui.

Para encerrar nosso post com a palavra, ninguém menos que o maridão da Jaqueline que deu total apoio e adorou o fato dela deixar de ser garupa para pilotar a própria moto em uma viagem para a Rota 66: "Nada disto teria sido possível sem a Jackie, mulher maravilhosa, de humor difícil como as mulheres maravilhosas são, perfeccionista, às vezes irritante, mas sempre com o humor (ácido, claro) a contrabalançar tudo isto, fora o bom senso fora do comum."

Essa foi a Jacqueline, uma ex garupa que agora aproveita muito mais a paixão pelo motociclismo ao lado do seu piloto… Em seu blog Suba na garupa! ela conta em detalhes como foi essa viagem…

Jacqueline rota 66