Quem está na chuva é pra se molhar?

QUEM ESTÁ NA CHUVA É PRA SE MOLHAR…

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Sempre costumava brincar com meu piloto quando o tema era chuva sobre duas rodas. A primeira experiência que tive foi há uns 05 anos quando voltávamos de Brasília. Lembro-me que foi uma delícia… Depois da última viagem final de setembro (MS-PR-SC) minha opinião mudou um pouco. Há chuvas e chuvas! rs

Foram 12 dias viajando, parando, conhecendo lugares interessantíssimos no Paraná e Santa Catarina, matando saudades da bela Floripa e das pessoas queridas que lá estão, conhecendo gente, novas culturas, novos sabores, enfim, vivendo… E pensei, o que eleger da viagem como o mais interessante, o que foi mais marcante para “Garupas”?! E escolhi como foco, a viagem em si, a estrada, o rodar… a questão de segurança, equipamento, consciência no trânsito, perigos e aventuras vivenciadas nestes dias, em especial os de chuva… Depois, escolhi falar sobre alguns lugares que chamaram muito a minha atenção, pela beleza do lugar, pela simplicidade e simpatia das pessoas, pelo prazer em conhecer algo diferente ou em rever lugares que por mais vezes que você lá já tenha estado, ele sempre te encanta! 

Bem, de Campo Grande a Guarapuava, PR (nossa primeira grande parada) a distância segundo a fonte distanciaentreascidades.com.br seria: em linha reta: 641 Km e por estradas: 813 Km. Como em determinado trecho da viagem, já no interior do Paraná, resolvemos cortar o caminho, por sugestão de um morador e trabalhador em posto de combustível talvez na cidade Icaraíma ou Ivaté, provável tenhamos feito um pouco menos… Uns 50 km a menos?! Bem, por aí! Distâncias precisas são com o piloto que controla a kilometragem, nível de combustível… Eu só controlo a velocidade! kkk

Já nos primeiros 300 km percebi que capacete que se usa em cidade nem sempre está apto para te dar segurança em viagens longas. O mesmo capacete que fui para Estrada Parque/Corumbá na semana anterior me causou um stress imenso e dores musculares horripilantes. Na primeira parada para pernoitar, em Guarapuava, precisei tomar um relaxante muscular. E por que? Quando o piloto começava a passar dos 100 km com a mão direita o “abraçava” e com a esquerda segurava o capacete que me deu um susto danado pois em certo momento da viagem quase saiu da cabeça. Talvez esteja exagerando, mas essa foi a sensação que tive. E isso é um perigo pois no reflexo você larga o piloto para “agarrar” o capacete que faz menção de sair “voando ao vento”. Esse movimento brusco, pode causar instabilidade e o piloto perder o equilíbrio ou assustar-se sem saber exatamente o que está acontecendo. Nesta hora, já previ tudo! Terei que ser muito forte para chegar até Florianópolis segurando este capacete. Neste momento eu me perguntava o porque de não ter olhado com mais cuidado a questão do capacete! Até parecia uma garupa de primeira viagem… Por que fui tão negligente com a minha própria segurança? Eu já havia passado por situação semelhante em 2009/2010 quando para SC fomos!

Outro problema enfrentado foi com as luvas. Perdi o lado direito das minhas praticamente na véspera da viagem e a solução veio com um lado esquerdo do piloto. Se é que tive alguma vantagem nisto, foi apenas na hora de pagar o pedágio. Tirava e colocava com muita facilidade o lado direito! Saindo de MS e entrando no Paraná o vento era forte. Eu olhava aqueles coqueiros e árvores em geral e observava a direção, percebendo a intensidade do mesmo… Maior parte, foi vento lateral, na minha opinião pior! Os mais experientes que manifestem-se!

Mas, mal eu sabia que o pior mesmo estava por vir… O trecho de Guarapuava a Joinville/Florianópolis foi TENSO!!! Chuva, chuva, chuva e vento, vento, vento!!! ( E para completar o cenário, carretas, carretas e mais carretas com motoristas irresponsáveis correndo horrores numa BR, serra, curvas…) Tanto é que resolvemos atrasar a chegada a Floripa, pernoitando em Joinville… Eu estava simplesmente QUEBRADA (e muito ensopada da cintura para baixo) quando resolvemos, por segurança, parar em Joinville… Mas foi ótima essa parada, para tomar um fôlego e seguir viagem até Florianópolis onde chegamos debaixo de uma chuva torrencial e eu MAIS QUEBRADA ainda! rsrs

Se você me perguntar agora porque estava muito molhada da cintura pra baixo, obviamente vai deduzir que eu só usava uma proteção contra a chuva na parte de cima. Porque isso aconteceu nem me lembro mais, mas creio que foi por não ter imaginado que choveria tanto e a calça não estar em local de fácil acesso. Acho que foi isso! Quando se está numa zona de conforto, em terra firme, você, no caso eu, acabei subestimando o vento, a chuva, o frio… As luvas da mão direita por exemplo, embora me facilitassem o manuseio do dinheiro quando nos pedágios, fazia aumentar ainda mais a minha dor.. O que sobrara de “couro”, sob o vento fazia uma pressão nos dedos que “sambavam” dentro das luvas… Aí já imagina, se meu único ponto de segurança e equilíbrio era a mão direita, em certos momentos me sentia muito mais vulnerável e fragilizada pois ao tentar fechar as mãos em punho junto ao corpo do piloto, este ficou pensando que eu estivesse dormindo e me dava umas “cutucadas” na mão direita. Já que a esquerda era só do capacete… Aí pensei: se ficar o bicho pega, se correr o bicho come! Mas bem, na primeira oportunidade, expliquei ao piloto o que acontecia com as minhas mãos e luvas e não levei mais “cutucadas”… rsrs

A minha roupa é especial para viagens e hoje penso: como já viajei para Brasília – DF, Chapada dos Guimarães – MT só com uma calça jeans ou algo do tipo? Embora ouça algumas pessoas dizendo que só viajam “à vontade”, eu não teria mais essa coragem. Já havia caído na Estrada Parque por causa das pedras. Nem imaginava eu que ainda levaria mais dois tombos em menos de uma semana. Um na ida, ao resolvermos cortar caminho por uma estrada de chão (areia na verdade), um boi atravessou bem na nossa frente, e o que deu?! Chão! … Sorte que passavam dois carros nesta hora e um deles me deu carona por uns 10 km, me livrando da parte mais intensa daquele mar de areia, mais fina e em maior quantidade que a da Estrada Parque! Não me lembro mais do nome do casal, mas foi um alívio para mim que fiquei por um tempo com a perna doendo logo depois do tombo… Além da corona, nos ofereceram um cafezinho que não pudemos aceitar por causa do tempo. Ainda tínhamos um bocado de chão até Guarapuava… O tombo da volta foi mais suave, com a moto parada, e fomos parar na lama na beira da rodovia próximo à Tibagi, PR. Pelos tombos que levei, embora tenham sido em baixa velocidade ou com a moto parada, sei que as roupas foram fundamentais para que não me machucasse! Tombo é tombo! E a moto pesada pra carambaa! rsrs

Bem, o capacete acabei ganhando um novo em Florianópolis e hoje entendo porque ele queria sair voando da minha cabeça. Era número 60, experimentei vários e optei pelo 56… Obviamente devem existir capacetes bem mais sofisticados que o meu, mas a volta foi bem mais tranquila, sem chuva, agarradinha ao piloto com as duas mãos, de capacete novo e firme na cabeça rsrsrs. É um bom capacete, e aprendi uma coisa que eu já assim o entendia pr questões de higiene: capacete não se empresta! Ele se molda à sua cabeça e é como se fosse uma blusa que cai legal no teu corpo, dependendo do tecido, se emprestá-la, corre o risco de voltar diferente para o seu corpo! Portanto, atenção especial às roupas e acessórios, garupas! Eles absolutamente não existem por “modismos” ou beleza! E sim por SEGURANÇA!

Afinal, o trânsito é algo que não depende somente de você, ou do piloto. Vi e presenciei carretas tombadas, carro que subiu numa pequena muretinha (tipo um meio fio) numa serra e durante a chuva… As sinalizações de trânsito existem para serem cumpridas e ficava feliz a cada vez que via um posto da Polícia Rodoviária Federal. Me sentia mais segura! Alguns caminhoneiros são bem conscientes, mas grande parcela deles corre com certeza acima da velocidade máxima permitida! Fazem ultrapassagem em locais proibidos e assim, colocando em risco não somente a sua própria vida, mas a de terceiros… Se você não estiver com uma roupa mais reforçada, um sapato mais fechado, um simples tombo pode fazer a viagem terminar mais cedo. E mais que isso, pode abreviar a tua vida ou a de outras pessoas! E viagem feliz é viagem com segurança…

Apesar do episódio do capacete que foi resolvido antes de voltarmos para casa, COM SEGURANÇA chegamos a lugares paradisíacos como Salto do São Francisco, em Guarapuava – PR, Puxa Nervos e Salto Santa Rosa em Tibagi- PR, a sempre bela e mágica Florianópolis. Com segurança tivemos a oportunidade de rever pessoas queridas da família ou um amigo do sorriso largo. Com segurança conhecemos pessoas incríveis que já viajaram por lugares igualmente incríveis e que carregam consigo uma bagagem formidável de experiências, fatos… Com segurança, encontramos pessoas que não conhecem outro lugar a não ser a própria cidade em que moram, mas que se encantam com a sua coragem, com o seu espírito aventureiro… Com segurança conhecemos bibliotecas, museus, experimentamos novos sabores… Santa Catarina eu já conhecia um pouco mais, em especial Florianópolis. Paraná me surpreendeu! Coisas inusitadas vimos por lá: tigre, leão, avestruz e outros animais que nem soube identificar. Não! Não era um zoológico, era um hotel fazenda na BR próximo a Tibagi. Confesso que fiquei meio apreensiva porque fomos abrindo porteiras e depois de seguirmos por um caminho de PEDRAS (aff!!!) nos deparamos com esses animais. Como não via nenhum humano por lá, comecei a ficar com medo, já passando do meio da tarde, me pareceu um daqueles filmes de terror! E se esses animais resolvem sair das jaulas?! E se tudo isso for uma cilada?! kkkk Mas retornando, encontramos um boiadeiro que nos informou que o hotel só funciona aos finais de semana. Aliás, Tibagi foi o centro das aventuras. Até rafting fizemos no Rio Tibagi que estava cheio porque havia chovido de madrugada e acabamos virando o bote na terceira correnteza (parece-me que eram 6 ao total)… Desisti da aventura, mas indico a empresa Tibagi Aventuras que nos acompanhou em outros passeios, como das cachoeiras, e são preparados para fazer esportes de aventura como rapel e outros mais.

Joinville foi eleita por mim a capital dos “beija-fores”… Foi no restaurante da Pousada Grün Wald, um lugar de instalações simples, porém aconchegantes , café da manhã maravilhoso, um jantar DELICIOSO! Mas tirando o foco da comida rsrsrs e voltando aos pássaros, eles vinham aos montes, inclusive dentro do restaurante. Coisa impressionante!

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Florianópolis como sempre encantadora, mesmo debaixo de chuva! Praia não rolou, mas num “momento de distração da chuva”, corremos para a Lagoa da Conceição, um charme só! Adoro esse lugar… Aliás, Floripa foi o lugar de rever amigos como o Taitha que nos acompanhou na nossa primeira viagem juntos para SC e de conhecer o Julio Verne do motociclismo, Guillermo Godoy (quem já entrevistei aqui), e sua filha Patrícia com quem tivemos o prazer de jantar e ouvir muitas histórias, muitas delas registradas em livros. Contou-nos um pouco sobre o seu projeto da volta ao mundo! Noite inesquecível, com direito a pizza, vinhos e copinhos de chocolate com licor! Espero vê-los em breve…

“Viajar é mudar a roupa da alma”, disse Mario Quintana. Mudamos a nossa nesta viagem! Mas como gostamos muito de viajar, dia 11 de outubro seguiremos para Capanema (eeee Paraná de novo na área!!!) e a roupa há de ser trocada mais uma vez. O motivo desta vez é 4º Moto Casais, evento organizado pelo casal Boeira que tive o prazer de conhecer na edição de Bonito. Pelos preparativos e carinho com que estão organizando o evento, tenho certeza que o encontro será um sucesso! E lá vamos nós para Capanema, com chuva ou sem chuva! E será tema do próximo post… Mas, enquanto Capanema não chega ou não chegamos a Capanema, acompanhe um pouco da nossa última viagem através das fotos!

Melhor que entrar de férias é sair de férias passando em frente ao local de trabalho… rsrs
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A vontade é de ir parando em todos os lugares que nos chamam atenção…
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Como este…
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O casal que deu carona a “Garupas” por um bom trecho desta estrada, onde um boi atravessou o nosso caminho e nos derrubou!
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O piloto volta para buscar a sua garupa que havia ficado para trás…
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Em Guarapuava, um passeio pelo Jardim BotânicoFérias_PR_SC (52)

E o destino agora é Salto de São Francisco… 

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Mas pra chegar lá, mais “pedras”!!!SantaCataria_e_Paraná (106)

Aqui o sistema é BRUTO!
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Chegamos ao Parque Municipal São Francisco da Esperança!!!
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E valeu a pena chegar pertinho da maior queda d’água da região sul do Brasil: Salto São Francisco em Guarapuava, Paraná!
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“Eu não consigo parar de te olhar”…SantaCataria_e_Paraná (163)

Olhar atento a cada detalhe da natureza…SantaCataria_e_Paraná (190)

 A queda está localizada numa região de tríplice fronteira entre os municípios de Guarapuava, Prudentópolis e Turvo no Paraná.
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MotoTuristas…
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Bela Floripa…
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O motociclismo proporcionando encontros, construindo amizades: MotoTuristas Taithá, Guillermo Godoy e Gargamel
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Contemplação na Lagoa da Conceição em FlorianópolisSantaCataria_e_Paraná (310)

Ilha da Magia…
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Olha o “passarinho”!
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O bicho era bonito, mas esqueci-me do nome dele… rsSantaCataria_e_Paraná (547)

Tibagi, uma cidade no interior do Paraná, super charmosa e com vários atrativos naturais!SantaCataria_e_Paraná (563)

Rota dos MotoTuristas… 🙂
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Lama: a prova do tombo! rsrsrsSantaCataria_e_Paraná (572)

Eu achei que só na minha cidade tinha igreja com este nome! hehehe (Então, livrai-me de todas as dores musculares…)
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Salto Santa Rosa – Tibagi, PRSantaCataria_e_Paraná (646)

Ao pé do Salto Santa Rosa… Mas banho não é permitido!SantaCataria_e_Paraná (686)

Moto faz parte do acervo de um pequeno museu que existe na propriedade onde está localizada a cachoeira Salto Santa  Rosa… 
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Este também faz parte do museu…SantaCataria_e_Paraná (755)

Cachoeira Puxa Nervos – Tibagi, PRSantaCataria_e_Paraná (839)

Banho permitido… 
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Inventando moda… rs
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Antes da primeira correnteza… Acho que eu já previa, olha o sorriso amarelo… hahahaOLYMPUS DIGITAL CAMERA

Apesar dos tombos, da chuva, do capacete, das luvas, valeu à pena! Melhor parte é você ouvir: és uma grande companheira! 😉 
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Até a próxima e curtam Garupas no FaceBook, assim você ajuda nosso trabalho de divulgação!

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