Viagem de moto ao sul do Brasil

Viagem de moto pra casa

Dessa vez… a viagem de moto é pra casa! (terceiro de 3 relatos)

 

Terceira e última parte da viagem de moto ao sul do Brasil dos mototuristas começa com a nossa saída do Quinta do Bucanero na segunda-feira, dia 14 de abril, após o delicioso café da manhã, como o foi todos os dias, olhando para aquele mar maravilhoso, a Praia do Rosa, a Lagoa do Meio e demais praias da qual se tem o privilégio da vista quem no Buca se hospeda.

Nesta deliciosa viagem de moto, os mototuristas seguiram então para Florianópolis, a Ilha da Magia, capital do estado de Santa Catarina e que possui tantas praias que existem até divergências se seriam 42, 31 ou até mesmo 100. A dúvida deve-se ao fato de divergências nos critérios adotados para estabelecer onde começa e termina cada uma. A verdade é que existe um livro chamado “Descortinando as 100 belas praias de Florianópolis”, do professor e pesquisador na área de  Ciências Humanas e Sociais Nereu do Vale Pereira. Quem sai ganhando com isso são os moradores que tem como opção vários lugares e nós mototuristas ( e turistas em geral ) que podemos escolher novos lugares para conhecer a cada nova visita à bela Florianópolis.

Bem, o primeiro compromisso dos mototuristas nesta viagem de moto, em Florianópolis, foi a visita ao nosso amigo Guillermo Godoy, motociclista com vários livros publicados contando suas aventuras em 2 rodas e que planeja no segundo semestre de 2014 dar a volta ao mundo. É a segunda vez que visitamos Guillermo Godoy em sua casa que tão bem e carinhosamente nos recebeu. Fomos até a casa deste grande motociclista acompanhados de outro amigo motociclista que trocou Mato Grosso do Sul por Florianópolis, SC após uma viagem de moto que juntos fizemos no final de 2009. Fomos recebidos com uma bela macarronada preparada pelo Guillermo que cuidou dos mínimos detalhes, desde a preparação da massa, o molho e 3 tipos de sobremesas uma mais deliciosa que a outra: o pudim de pão, os copinhos de chocolate com licor e uma nova para mim, chamada Dom Pedro: três sabores de sorvete com whisky à gosto. Muito bom!!! Tudo isso regado a muita conversa, dicas de viagem, relatos de experiências… Agrademos ao Guillermo Godoy e sua filha Patrícia por todo carinho e atenção dispensados nessas horas. E ao nosso querido amigo Thaita pela carona e pela companhia durante a visita.

Florianópolis tem lugares muito pitorescos e em uma viagem de moto, esses lugares ficam ainda mais interessantes. Desta vez o tempo ajudou e os mototuristas fizeram novos passeios que não pudemos fazer da última vez em que lá estivemos. Vamos lá a algumas aventuras que fizemos nesta viagem de moto:

1) Passeio de barco até a costa da lagoa que é uma Área de Preservação Ambiental (APA). Passeio muito agradável onde você pega uma embarcação na Lagoa da Conceição e vai até o centrinho da Costa da Lagoa onde realmente só se chega ou de barco ou por trilhas (são trilhas demoradas que saem de alguns pontos e que um dia eu pretendo fazer porque dizem é bem cultural, passa-se por diversas vilas e antigos engenhos de farinha). O que chamo de barco na verdade é conhecido como baleeira e é também usado como meio de transporte pelo moradores da costa. O passeio custou R$15,00 e demora aproximadamente 40 minutos até o ponto do centrinho.

2) Esta viagem de moto teve Sambaqui e Santo Antônio da Lisboa – lugares graciosos, escolhidos pelos primeiros açorianos em meados do século XVIII para fixar residência na ilha de Florianópolis. A beira-mar desses lugares possui uma vista belíssima da Baía Norte e do Continente. Vimos diversos restaurantes, mas resolvemos saborear as delícias de um que fica bem na esquina da primeira rua calçada de Florianópolis: Villa do Porto. Fica em um imóvel histórico construído em 1840. Você tem a opção de ser servido dentro das dependências do restaurante que no passado serviu de hospedagem para o então imperador do Brasil Dom Pedro II, segundo um dos atendentes nos contou. O casario é lindo, mescla o rústico já que é um prédio antigo com a modernidade. No entanto, preferimos ficar nos quiosques que eles possuem na calçada, atravessando a rua, à beira da praia de águas tranquilas já que trata-se de uma colônia de pescadores. Ah, a comida do Villa do Porto é de primeira hein!
Uma dica para quem tem bom gosto e gosta de artesanato é conhecer o Estúdio de Cerâmica Artística Vineli. Cada peça mais linda de viver que outra: louças, painéis, artigos de decoração. Fiquei sabendo que perto deste estúdio existe uma feira de artesanato muito interessante também, mas que funciona somente aos sábados e domingos à tarde. Ai ai, viagem de moto boa é assim: alimento para o corpo e para a alma hehehe…

3) Armazém Vieira – localizado em uma famosa esquina de Florianópolis, é uma referência cultural, gastronômica e de boa música, conhecida nacionalmente e até internacionalmente sendo indicado por importantes revistas e jornais especializados no assunto. Os mototuristas foram em uma sexta e rolava um ziriguidum ( rs sambinha )  de primeira qualidade.  Numa próxima oportunidade quero experimentar o famoso sanduíche Armazem Vieira que tem quatro andares com frios e um molho que é segredo da casa.

4) Aos arredores da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC existem vários bares. Um que chamou a atenção pelo nome foi “Meu Escritório”. Achamos muito divertido o nome e imaginando as situações que acontecem por conta do nome (nosso escritório é mesmo sobre 2 rodas e ao ar livre, sensações assim, só uma viagem de moto nos proporciona). Lotado ao extremo com pessoas pela calçada, resolvemos parar em um que fica no Córrego Grande, Chopp do Gus. Tocava uma banda que não me lembro o nome e a noite era especial só com músicas de duas bandas da década de 80 que adoro: The Smiths e The Cure. Bom demais!!!  

Florianópolis tem opções diversas e ainda teremos que fazer não mais uma viagem de moto, mas muitas viagens de moto para conhecermos novos lugares e rever outros que sempre valem uma visita. O centro mesmo de Florianópolis é sempre muito agradável. Adoro andar pelo Mercado Municipal, o artesanato da Alfândega, visitar a Figueira centenária na Praça XV de Novembro.

Após alguns dias agradáveis em Floripa é chegada a hora de voltar. Nossa viagem de moto começa então a contagem regressiva para a chegada no lar doce lar. Partimos de Florianópolis no sábado dia 19 e ainda pela manhã passamos pela Serra da Dona Francisca, que foi construída pelos imigrantes europeus para ligar Joenville ao litoral. Uma serra curta, mas com uma vista muito bonita, cuja beleza pode ser melhor apreciada de um mirante que encontramos no caminho.

A parada dos mototuristas para pernoitar nesta viagem de moto foi em Irati, PR, cidade de imigrantes poloneses e ucranianos. Achei a cidade até movimentada, mas também era um sábado a noite e ficamos na área central com restaurantes, pub, tudo por perto. Ficamos no Hotel Luz cujo dono orgulhosamente disse já ter hospedado gente famosa como Roberto Carlos. O Hotel talvez já tenha sido mesmo em décadas passadas um  hotel de referência na cidade. Hoje é um hotel simples, sem serviços de frigobar, telefone no quarto, móveis antigos, mas tinha wi-fi kkk… Ah, o colchão do quarto onde ficamos também me deu uma dor na coluna que vou contar! Mas por uma só noite deu pra aguentar…

Nesta viagem de moto, durante o nosso retorno, também conheci o sabor do famoso pinhão. Paramos em (ou próximo) de Larangeiras do Sul na beira da estrada e taí, gostei! Curioso que comemos o pinhão quentinho, diretamente do panelão que estava sob o fogo e no final o rapaz não cobrou nada. Disse que aqueles ali cozinhando era pra pessoa comer mesmo e gostando, levar no saquinho fechado.

Logo depois paramos num desses postos em que ficam socorristas e preciso comentar algo que muito me incomoda, mas que vindo de profissionais que ajudam a salvar vidas soa estranho e é no mínimo sem bom senso. Entramos na sala para servir um café e após os cumprimentos de bom dia uma delas virou para o colega e lembrou-se de uma certa ocasião em que teve que cortar uma bota igualzinha a do Gargamel MotoTuristas. Ainda falou que “deu até dó!” Eu ia dizer que esse tipo de comentário não se faz, ainda mais para alguém que está no meio de uma viagem de moto; seu papel ali era outro. Que deseje boa viagem, diga vá com cuidado, mas pera aí, fazer esse tipo de comentário é no mínimo desagradável e sem noção. Mas enfim, preferi sair de perto…. e pedir à Deus para que continuasse a nos acompanhar nesta viagem de moto que estava tão bacana e nos livrasse de qualquer mal.

Resolvemos dormir em Guaíra no domingo pois a intenção era ir ao Salto de Guairá comprar uma Go Pro na segunda-feira, dia 21 de abril feriado no Brasil. Encontramos por um bom preço, mas que lugarzinho congestionado hein! rs No final deu tudo certo… Bem, tudo certo, mas com um pequeno susto na reta final da viagem…

Chegando em Campo Grande e terminando mais uma viagem de moto, após pegarmos vários trechos bem congestionados e com muitos caminhões, na entrada da cidade, na BR 163 enfrentamos um temporal que superou qualquer chuva que pegamos em viagens anteriores. Começou a pingar e pensei, beleza, “já estamos em casa” mesmo… Mas em questão de poucos segundos começou um vento tão forte, tão forte (com raios, trovoadas, e muita água) que era difícil o equilíbrio na moto. Os carros foram parando no meio da rodovia e senti-me realmente muito preocupada e vulnerável com a força do vento. Paramos antes de cairmos e por ali ficamos por alguns minutos. O vento pouco diminuiu, mas mesmo assim seguimos até um posto que estava lotado de carros esperando a chuva parar. Ali ficamos por mais de 01 hora. Certos de que já poderíamos sair dali com tranquilidade, logo após o posto passamos por verdadeiros rios de água e o congestionamento era grande. Mas por fim, os mototutistas chegaram ao lar doce lar! E a sensação de mais um prazer realizado, muito felizes, com a bagagem cheia de histórias, novos amigos, a lembrança de lugares lindos, maravilhosos e perfeitos! Isso é motociclismo! Viagem boa de moto é assim cheio de aventura!!!

E nós somos mototuristas!!! Até a próxima aventura! 😉
Viagem de moto ao sul do Brasil
Serra do Rio do Rastro

2 ideias sobre “Viagem de moto pra casa”

  1. Tenho vontade de fazer uma viagem de moto, deve ser muito bacana, um estilo bem diferente de aventura.
    Gustavo Woltmann

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